terça-feira, 3 de setembro de 2019

I Encontro Cultural da Escola Família Agrícola de Veredinha: Jeitim da Roça

Neste último domingo, 01 de setembro de 2019, a Escola Família Agrícola de Veredinha realizou o I Encontro Cultural: Jeitim da Roça. O Jeitim da Roça foi um dos primeiros eventos culturais organizado pela Escola Família Agrícola de Veredinha e que surgiu do envolvimento da EFAV com as comunidades camponesas.
A valorização das tradições culturais do campo é de grande relevância para a EFAV e, o Jeitim da Roça configurou neste espaço de fortalecimento cultural e artístico.
O evento contou com a participação de aproximadamente 450 pessoas e ofereceu ao público uma diversidade de apresentações culturais que envolveram integrantes de diferentes municípios, como: Chapada do Norte, Minas Novas, Turmalina, Veredinha, Capelinha, Água Boa, Angelândia e Itamarandiba.
Cada atração cultural enaltecia o jeitim da roça e o público presente pode assistir e participar da Dança do Nove, da Dança do Maracatu e apreciar as Folias, os causos e as músicas do movimento da Educação do Campo e também do universo caipira.
Além da presença de cantadores, cantadoras e foliões da cultura popular, o evento contou também com a presença de outros artistas do Vale do Jequitinhonha. Gilmar Sousa, da cidade de Turmalina, que encantou e arrancou várias risadas do público com seus causos e, o pintor e escultor, Leandro Júnior, do município de Chapada do Norte, que fez uma exposição de telas que retratam a vida das pessoas e também traços da cultura afrobrasileira. 
O Coral da EFAV abrilhantou o evento cantando músicas que ensinam sobre a história das EFAs e que valorizam a cultura camponesa.
A escola ofereceu um almoço comunitário e sorteou um bezerro e um leitão por meio de um bingo beneficiente em prol da própria escola além de uma mesada de leilão.

Confira abaixo, algumas fotos do Jeitim da Roça
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 

quarta-feira, 12 de junho de 2019

ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA DE VEREDINHA DESENVOLVE PLANO DE ESTUDO QUE FORTALECE O DEBATE EM DEFESA DA AGROECOLOGIA

A turma do 2º ano do Ensino Médio da Escola Família Agrícola de Veredinha realizou Plano de Estudo que abordou o tema "Agroecologia: ciência, prática e movimento".
Esse Plano de Estudo surgiu do diagnóstico coletivo que teve a participação dos pais, dos estudantes e da equipe da EFAV, na assembleia de pais acorrida em dezembro de 2018.
 A cada trimestre, as turmas estudam e aprendem com o ciclo do Plano de Estudo que é coordenado pela equipe de monitores. Na turma do 2º ano, as monitores Neltinha Oliveira e Júnia Maria Fernandes são responsáveis pela organização de todas as etapas desse instrumento pedagógico.
O Plano de Estudo inicia com um momento de motivação a cerca do tema e ocorre os primeiros apontamentos e levantamentos dos conhecimentos dos estudantes e da realidade da comunidade. A turma aventurou no campo das leituras explorando aspectos conceituais da agroecologia e as diferentes vertentes da agricultura. Após a socialização dessa pesquisa, encaminhou-se questões para uma entrevista direcionada aos agricultores e agricultoras da comunidade buscando conhecer as práticas adotadas na agricultura local. No momento da socialização das entrevistas, apontou-se um dado alarmante, dos 37 entrevistados somente 12 sabiam da existência da agroecologia. 
Realizou-se com a turma dois momentos de intervenção externa: a primeira com José Murilo Alves que apresentou diferentes práticas agroecológicas e, a segunda, com Clebson Almeida que explorou os aspectos da agroecologia como ciência e também como movimento social. Clebson destacou também a importância da mulher dentro da agroecológica, pois sem a participação das mulheres não há agroecologia.
Somando-se tudo que foi discutido e problematizado dentro do Plano de Estudo, a visita de estudo na área experimental do CAV complementou e acrescentou novos conhecimentos e questionamentos. Os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer e entender as diferentes práticas orgânicas e agroecológicas que são desenvolvidas no CAV.
Já a atividade de retorno procurou intervir na realidade apresentada na síntese geral do Plano de Estudo. Foi proposto aos estudantes realizarem rodas de conversas envolvendo familiares, amigos e agricultores promovendo um espaço de diálogo sobre agroecologia na comunidade. A monitora Neltinha Oliveira disse que "essa atividade de retorno impactou no aumento de pessoas que agora podem dizer que já ouviram falar em agroecologia. Vejo que é um grande passo dos nossos estudantes no processo de fazer acontecer a transição da agricultura convencional para a agricultura orgânica e agroecológica nas comunidades".

Veja abaixo fotos das atividades do Plano de Estudo:

Foto - atividade de retorno
Foto - atividade de retorno 
 
 Foto - atividade de retorno
 Foto - atividade de retorno
 Foto - atividade de retorno
 Foto - atividade de retorno
Foto - visita de estudo na área do CAV
  Foto - visita de estudo na área do CAV
  Foto - visita de estudo na área do CAV
  Foto - visita de estudo na área do CAV
  Foto - visita de estudo na área do CAV
  Foto - visita de estudo na área do CAV - Casa de Sementes
  Foto - visita de estudo na área do CAV - Casa de Sementes
 Foto - atividade de retorno
 Foto - atividade de retorno
 Foto - atividade de retorno

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

SEMANA DA ADAPTAÇÃO 2019: JÁ COMEÇOU!!!

A semana de adaptação de 2019 da Escola Família Agrícola de Veredinha já iniciou e está a todo vapor! As atividades iniciaram hoje e encerrarão no dia 01 de fevereiro com a Assembleia de Pais dos estudantes participantes do processo seletivo.
A semana de adaptação envolve um conjunto de atividades, sendo elas práticas agropecuárias, domésticas e interativas. Parte-se do princípio de que todo o processo é educativo e avaliativo.

Confira algumas fotos:

 






 

 


segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Nota de pesar à família do egresso Igor Sampaio


A Escola Família Agrícola de Veredinha presta solidariedade à família e lamenta o falecimento do egresso Igor Sampaio ocorrido neste sábado, 19 de janeiro.

A escola por meio de sua administração, monitores, funcionários e colegas lamentam intensamente essa fatalidade e, neste momento de perda e dor, transmitimos os nossos sentimentos aos seus familiares, amigos e colegas.  Desejamos paz e força!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

MUDANÇA E VARIAÇÃO NO PORTUGUÊS DO BRASIL SÃO TEMAS DE ESTUDO EM ESCOLA DO CAMPO DE VEREDINHA-MG


Vamos conversar um pouco sobre a nossa Língua Portuguesa Brasileira? Já parou para pensar na diversidade de falares que a nossa língua possui? Já parou para pensar que quando falamos não utilizamos, de fato, todas as regras e recursos que compõem a chamada língua padrão? Analisando esses aspectos, a Escola Família Agrícola de Veredinha promoveu alguns debates e reflexões sobre mudança e variação linguística nas aulas de Língua Portuguesa, nas turmas do 1º Ano do Ensino Médio. Os conteúdos propostos que favoreceram as discussões foram a História da Língua Portuguesa e a Fonética e a Fonologia.
No processo de estudar a história da nossa língua, perceberam-se as drásticas mudanças ocorridas em diversas palavras ao longo do tempo. Um dos exemplos estudados foi a palavra “você”, a qual passou por um contínuo processo de transformações. No início era “vossa mercê”, depois “vossemecê”, “vosmecê”, “vancê” . Contudo, o mais interessante nessa história toda foi o aprendizado de que não há nenhum problema no fato de a língua mudar – e, entre outros, quem nos recorda disso é o linguista Sírio Possenti. Segundo ele, “[...] não há língua que permaneça uniforme. Todas as línguas mudam”.
Já no estudo da fonética e da fonologia, ressaltando que os estudantes são oriundos de diferentes comunidades, foi possível perceber a diversidade linguística presente no próprio espaço da sala de aula. Acima de tudo, eles atentaram para o fato de que nas diferenças linguísticas estão marcadas, também, diferenças identitárias e históricas. E isso corroborou com  considerações já realizadas de Calvet sobre as relações entre variações e mudanças na língua e questões sociais. Ressalta-se, nesse sentido, o entendimento do autor de que  “[...] as línguas não existem sem as pessoas que as falam, e a história de um língua é a história de seus falantes”.
Ao investigarem algumas mudanças ocorridas na fala e que refletem no processo da escrita, os estudantes foram percebendo a sonoridade das letras e, na composição das sílabas, notaram que determinados fonemas são poucos perceptíveis ou mesmo ausentes na fala cotidiana. Alguns exemplos destacados foram as ditas semivogais, em alguns contextos linguísticos, e também alguns dígrafos. O contraste percebido em palavras como ameixa (‘amexa’)/ e agulha (‘aguia’)/trouxe a reflexão de que, algumas vezes, uma grafia incorreta explica-se pela baixa frequência, ou mesmo ausência, na fala cotidiana, de alguns sons que costumamos atribuir a certas letras. Escrever ‘aguia’, nesse sentido, seria tentar transpor em letras todos os sons que, muitas vezes, são, de fato, ouvidos cotidianamente pelo estudante na pronúncia da palavra ‘agulha’.
O momento de estudo proporcionou uma aproximação carinhosa com os falares dos avós e dos bisavós e a percepção de diferentes formas de apropriação da língua. apropria-se da língua tanto somente pela audição, nas mais diversas práticas diárias com a linguagem, quanto se apropria também  pelo processo da escrita, que possui regras específicas. Isso, entre outras possibilidades. Levou-se, também, à discussão do preconceito linguístico sofrido pelas populações camponesas.
Os estudantes pesquisaram algumas palavras nas comunidades e fizeram uma troca de experiências em sala de aula, no sentido de explicitar os sentidos atribuídos a variados termos em cada comunidade. Constam abaixo algumas dessas palavras:
Comunidade
Termo ou expressão
Sentido
Comunidade Alagadiço
Deixar de “asnidade”
Deixar de ser besta
Bentinho
 “Fingir de égua”
Fingir de bobo
Ribeirão Veredinha
“Pricipiço”
Problema. Ex: ‘vai arrumar pricipiço’ - vai arrumar problema.
Cáquente
“Manaíba”
Pessoa boba demais
Cáquente
“Micha”
Pessoa metida
Veredinha
“Binguelando”
Balançando
Veredinha
Passar na “pinguela”
Passar na ponte
Fanado Amanda
“Chibiu”
Chuchu
Cuba
“Mandô falá”
Retornar uma ligação
Veredinha
“Tá dumm!”
Referência a algo que está em excesso. Exemplo: ‘o calor tá dumm’ - o calor está excessivo. 
Tatu
“inverem”
Duvidoso. Ex: ‘isso tá inverem’ - isso está duvidoso.

Dentro disso, pôde-se perceber no processo que o ensino da Língua Portuguesa é algo amplo e que não deve se restringir às regras gramaticais. As relações identitárias passam pelo uso da língua e compreendê-la dentro dessa amplitude é fundamental. A boa escrita de um texto, antes de tudo, revela o entendimento do mundo e da realidade.
 Escrito por Neltinha Oliveira dos Santos